Guia · Psicanálise e vida adulta

O primeiro passo para dentro de si

Um guia para entender como funciona a psicanálise e o que esperar do seu processo.

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Você deu o primeiro passo

Procurar uma análise é uma decisão que muitas pessoas adiam. Você escolheu olhar para si com atenção e cuidado, e essa escolha já faz parte do caminho.

Este guia foi feito para que você chegue às primeiras sessões sabendo o que esperar.

"Digo a todos os meus pacientes que se sentam em minha frente que estes, para dizer o mínimo, são corajosos. Corajosos porque a escolha de fazer psicoterapia exige bravura." — Patrícia Vaz Corrêa

Uma escuta que vai além das palavras

Sigmund Freud mostrou que boa parte do que sentimos e fazemos nasce em um lugar que não conhecemos por inteiro: o inconsciente. Uma angústia, um padrão que se repete nas relações, um sintoma: nada disso é por acaso. Tudo carrega um sentido que pode ser escutado.

A psicanálise nasceu, justamente, como um tratamento pela fala (a "talking cure", expressão de uma paciente de Breuer): é falando, e sendo escutado, que esse sentido aparece.

Dois olhares que se completam

  • Freud: a escuta do inconsciente, para compreender o que se repete e o que está por trás do sintoma.
  • Winnicott: o peso do ambiente e dos primeiros vínculos, e a busca por um modo de viver mais verdadeiro, para além das máscaras que criamos para nos adaptar.

É a partir dessas duas referências que conduzo cada análise.

Quem vai escutar você

  • Formação: Psicologia pela PUC-SP.
  • Especialização: Psicanálise Infantil pelo Instituto Sedes Sapientiae.
  • Trajetória: Hospital das Clínicas da FMUSP e Instituto de Reabilitação Lucy Montoro.
  • Clínica: mais de 15 anos de clínica, em São Paulo e, desde 2020, em Ribeirão Preto.
  • Registro: CRP 06/108902.

Fale o que vier à mente

Na análise, não existe assunto certo ou errado. A proposta é falar livremente o que pensa, sente, lembra ou sonha, mesmo o que parecer sem importância ou sem sentido. Freud chamou isso de associação livre.

Ele comparava esse falar ao de um viajante à janela do trem, que descreve a quem está ao lado as paisagens que vão passando.

Mais do que uma conversa

Meu trabalho não é dar conselhos ou respostas prontas. É escutar com atenção ao que se repete, ao que se evita e ao que aparece nas entrelinhas, e, aos poucos, ajudar você a dar sentido ao que vive.

"Não se trata de um bate papo, uma conversa apenas. Se trata de um ambiente seguro, uma troca livre de julgamentos, uma escuta acolhedora." — Patrícia Vaz Corrêa

A transferência

Com o tempo, sentimentos ligados a pessoas importantes da sua história podem aparecer na relação com a analista. Freud chamou isso de transferência.

Longe de ser um problema, ela é uma das ferramentas mais preciosas da análise: é ali que o que se repete pode ser visto, falado e transformado. Por isso, você pode, e deve, falar também sobre o que sente em relação à terapia.

O espaço também faz parte do cuidado

O consultório é um lugar reservado, silencioso e sempre o mesmo. Essa constância não é um detalhe: ela cria a segurança necessária para que você possa falar do que é difícil.

Winnicott via no ambiente da análise uma forma de sustentação, que ele chamou de holding: o mesmo tipo de amparo que permite a alguém, enfim, baixar a guarda.

O que se mantém, para que algo mude

  1. Mesmo dia e horário: um encontro fixo, reservado para você.
  2. Duração e frequência: sessões de cerca de 50 minutos, em geral semanais.
  3. Sigilo: o que é dito fica entre nós, nos limites previstos pelo Código de Ética.

O psicanalista José Bleger estudou a fundo essa moldura, o enquadre: o que permanece constante para que o processo possa acontecer.

Cada análise tem o seu tempo

As mudanças costumam acontecer primeiro por dentro, antes de aparecerem na vida. Há fases de descoberta e fases em que parece que nada se move, e as duas fazem parte. Freud chamou de elaboração esse trabalho, que pede tempo e não pode ser apressado.

"O caminho a percorrer é longo, a força do sentir é profunda, as descobertas libertadoras, o medo surge, o lado feio também, mas então ganhamos a Consciência." — Patrícia Vaz Corrêa

O que a ciência mostra

Uma revisão publicada na revista American Psychologist, da Associação Americana de Psicologia, encontrou, para a psicoterapia de base psicanalítica, um efeito médio de 0,97 sobre os sintomas. Em pesquisa, um efeito acima de 0,80 já é considerado grande.

Nos estudos com acompanhamento de nove meses ou mais após o fim do tratamento, o efeito medido foi ainda maior: 1,51. Os ganhos tenderam a se manter e até a crescer depois do término.

Sinais de que algo está se movendo

Cada pessoa percebe de um jeito. Alguns sinais que costumam aparecer:

  • Você reconhece padrões que antes se repetiam sem perceber.
  • Reage de outro jeito a situações que antes paralisavam.
  • Consegue nomear o que sente, com mais clareza.
  • Sente mais liberdade para fazer escolhas.

Nem sempre é linear. Sessões difíceis também são parte do caminho.

Para aproveitar a sua análise

  1. Fale com sinceridade, inclusive sobre o que sente em relação à terapia.
  2. Preserve a frequência. A constância sustenta o vínculo e o processo.
  3. Traga seus sonhos. Para Freud, a interpretação dos sonhos é a "via régia" para o inconsciente.
  4. Não prepare a sessão. Chegue como estiver. O que surgir já é material.

"Mergulhar no oceano que somos é maravilhoso e também desafiador. Assim como o mar, nossa psiquê guarda mistérios e tesouros." — Patrícia Vaz Corrêa

O que você sente merece ser escutado. Vamos juntos.

Para se aprofundar

  • Freud, S. (1900). A interpretação dos sonhos.
  • Freud, S. (1912). A dinâmica da transferência.
  • Freud, S. (1913). Sobre o início do tratamento.
  • Freud, S. (1914). Recordar, repetir e elaborar.
  • Winnicott, D. W. (1965). O ambiente e os processos de maturação.
  • Winnicott, D. W. (1971). O brincar e a realidade.
  • Bleger, J. (1967). Psicanálise do enquadramento psicanalítico. In: Simbiose e ambiguidade.
  • Shedler, J. (2010). The efficacy of psychodynamic psychotherapy. American Psychologist, 65(2), 98–109.

Material educativo. Não substitui a avaliação individual em consulta.

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