Infância e adolescência

Quando levar meu filho à psicóloga?

Não é preciso esperar uma crise. Quando algo no jeito de ser da criança preocupa os pais por algum tempo, uma conversa já ajuda.

Vale procurar uma psicóloga quando algo no comportamento ou no jeito de ser da criança preocupa os pais por um tempo e não muda com as tentativas do dia a dia. Não é preciso esperar uma crise nem ter certeza de que "é grave". Muitas vezes, uma primeira conversa com os pais já ajuda a entender o que está acontecendo e se a terapia é o melhor caminho.

Quais sinais merecem atenção?

Toda criança passa por fases difíceis, e isso faz parte do crescimento. O que costuma chamar atenção é quando um comportamento se intensifica, dura mais do que o esperado ou começa a atrapalhar a vida da criança e da família. Alguns exemplos:

  • Medos que aumentam e passam a limitar o que ela faz.
  • Birras ou explosões de raiva muito frequentes ou intensas para a idade.
  • Mudanças de humor, tristeza ou irritação que não passam.
  • Dificuldade para dormir, pesadelos frequentes ou terror noturno.
  • Recusa em ir à escola, queda no desempenho ou dificuldade de se relacionar com colegas.
  • Agressividade com outras crianças, com os pais ou consigo mesma.
  • Retrocessos, como voltar a fazer xixi na cama depois de já ter parado.
  • Timidez que impede a criança de brincar, falar ou participar.
  • Queixas frequentes de dor de barriga ou de cabeça sem causa encontrada pelo pediatra.

Nenhum desses sinais, sozinho, é um diagnóstico. Eles são formas de a criança dizer que algo está difícil para ela.

E quando a família passa por uma mudança?

Algumas situações mexem com toda a família e podem pedir um espaço só da criança: a separação dos pais, a chegada de um irmão, uma mudança de casa ou de cidade, a perda de alguém querido, uma doença na família, a troca de escola.

Nem toda criança vai precisar de terapia nesses momentos. Mas, quando os pais percebem que ela está sofrendo e não encontra palavras para isso, a psicanálise oferece um lugar onde esse sofrimento pode ser expresso e elaborado.

A partir de que idade a criança pode fazer terapia?

Não existe uma idade mínima fixa. Com crianças pequenas, a escuta acontece principalmente pelo brincar, pelo desenho e pelas histórias que elas inventam. É no brincar que a criança mostra o que sente, muito antes de conseguir falar sobre isso.

Com bebês e crianças muito pequenas, o trabalho costuma envolver mais os pais, porque a relação entre eles e a criança é o centro do cuidado nessa fase.

Como funciona o começo?

No meu consultório, o processo começa com uma conversa com os pais, sem a criança. É o momento de vocês contarem o que observam, a história da criança e da família, e as dúvidas que trazem.

Depois, encontro a criança. Nessas primeiras sessões, nós nos conhecemos pelo brincar. Em seguida, volto a conversar com os pais sobre o que percebi e sobre o caminho que faz sentido seguir.

Ao longo do acompanhamento, mantemos encontros de orientação com os pais. Vocês conhecem seu filho como ninguém, e eu trago a escuta clínica. Esse trabalho em parceria é parte essencial do cuidado.

Como contar para a criança que ela vai à psicóloga?

Com naturalidade e sinceridade, em palavras simples. Algo como: "vamos conhecer uma pessoa que ajuda as crianças a entenderem o que sentem, conversando e brincando". O importante é apresentar a terapia como um espaço dela, e nunca como castigo ou como sinal de que ela "deu trabalho".

Procurar ajuda é sinal de que os pais falharam?

Não. É o contrário. Muitos pais chegam ao consultório com culpa, como se precisar de ajuda fosse um fracasso. Eu vejo de outra forma: perceber que o filho está sofrendo e buscar um espaço de escuta para ele é um gesto de cuidado. É enxergar a vida emocional da criança como parte do seu crescimento, e não como algo a esconder ou a esperar passar.

Sobre as dúvidas mais comuns

A terapia vai rotular meu filho? Não. O objetivo não é colocar um nome na criança, e sim compreender o que ela está vivendo.

Vou saber o que acontece nas sessões? O que a criança traz é preservado, porque essa confiança sustenta o processo. Nos encontros com os pais, compartilho o que ajuda vocês a acompanhar e apoiar o filho.

E se eu achar que não está mudando nada? Traga essa inquietação para os nossos encontros. As mudanças costumam acontecer primeiro por dentro, antes de aparecerem no comportamento, e cada criança tem o seu tempo.

Se vocês estão começando esse caminho, escrevi um guia completo para pais: Seu filho vai começar a terapia: e agora?. E, sobre o meu trabalho com crianças em Ribeirão Preto, veja a página de psicanálise infantil.

Se algo deste texto falou com você

Podemos conversar sobre o que você está vivendo. A primeira conversa é o momento de tirar dúvidas e entender se este é o caminho.

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