Infância e adolescência

Separação dos pais: como falar com os filhos

A separação muda a forma da família, mas não precisa desfazer o que a criança tem de mais importante: a certeza de que continua sendo amada pelos dois.

Para os filhos, o que mais pesa na separação não é o fim do casamento em si, e sim a forma como ela é vivida. Crianças lidam melhor com a mudança quando recebem uma explicação verdadeira e adequada à idade, quando sabem que não são culpadas, quando mantêm o vínculo com os dois pais e quando são protegidas dos conflitos entre os adultos.

Como contar para os filhos?

Sempre que possível, os dois pais juntos, em um momento calmo e sem pressa. Alguns cuidados ajudam:

  • Diga a verdade, de forma simples. Algo como: "nós decidimos não ser mais um casal, mas vamos continuar sendo seus pais para sempre".
  • Explique o que vai mudar e o que vai continuar. Onde a criança vai morar, como vão ser os dias com cada um, o que permanece igual.
  • Deixe claro que a decisão é dos adultos. A criança não causou a separação e não tem como desfazê-la.
  • Não entre em detalhes do conflito. Os motivos do casal não precisam ser explicados aos filhos.
  • Abra espaço para perguntas, hoje e nos dias seguintes. Muitas vezes elas aparecem depois.

O que a criança costuma sentir?

Cada criança vive a separação de um jeito, conforme a idade, o temperamento e a história da família. Alguns sentimentos são comuns:

  • Tristeza e saudade do pai ou da mãe com quem não está no momento.
  • Culpa, a ideia de que fez algo para causar a separação.
  • Raiva, às vezes dirigida a um dos pais.
  • Medo de ser abandonada ou de que o amor dos pais também acabe.
  • A fantasia de que os pais vão voltar a ficar juntos.

Esses sentimentos podem aparecer de forma direta ou no comportamento: birras, dificuldades na escola, regressões, problemas para dormir, isolamento ou um esforço grande para "não dar trabalho".

O que os pais podem fazer?

  • Mantenham a criança fora do conflito. Ela não deve levar recados, ser confidente nem ocupar o lugar de juiz entre os pais.
  • Não falem mal um do outro na frente dela. A criança se identifica com os dois, e criticar um dos pais pode ferir uma parte dela.
  • Preservem as rotinas. Horários, escola, atividades e amigos dão segurança em um momento de mudança.
  • Permitam que ela ame os dois. Sem cobrar lealdade e sem se magoar quando ela sente falta do outro.
  • Cuide de vocês também. A separação é um luto para os adultos, e é mais fácil sustentar os filhos quando os pais têm onde apoiar a própria dor.

E quando os filhos são adolescentes?

Adolescentes entendem mais o que está acontecendo, mas isso não significa que sofram menos. Eles podem reagir com raiva, distância ou tentando proteger um dos pais. Vale conversar com honestidade, respeitar o tempo deles e evitar colocá-los no lugar de adulto da casa. Escrevi sobre essa fase em Terapia na adolescência.

Quando procurar uma psicóloga?

A separação, por si só, não significa que a criança precise de terapia. Vale procurar ajuda quando os pais percebem que o sofrimento está intenso ou não diminui, quando surgem mudanças importantes no comportamento, no sono ou na escola, ou quando o conflito entre os adultos está muito presente na vida da criança.

Na psicanálise infantil, a criança tem um espaço próprio para expressar o que sente, muitas vezes pelo brincar. Os pais, juntos ou separadamente, participam dos encontros de orientação. O foco é sempre a criança.

Para conhecer o meu trabalho com crianças e adolescentes em Ribeirão Preto, veja a página de psicanálise infantil.

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