A terapia na adolescência é um espaço de escuta em que o jovem pode falar sobre o que vive com alguém de fora da família, com sigilo e sem julgamento. As sessões são semanais, em geral centradas na fala, e os pais participam por meio de encontros de orientação com a psicóloga. O que o adolescente fala é preservado, e os pais são envolvidos sempre que houver algo que precisem saber para protegê-lo.
Por que a adolescência é um momento tão intenso?
A adolescência é uma travessia. O corpo muda rápido, a forma de pensar muda, as amizades ganham um peso enorme e surge a necessidade de se separar um pouco dos pais para descobrir quem se é. Winnicott escreveu que, nessa fase, os adultos precisam "sobreviver" às oposições do adolescente: continuar presentes, sem revidar e sem desaparecer.
Por isso, conflitos, mudanças de humor e momentos de isolamento fazem parte. A questão é perceber quando esses movimentos estão causando um sofrimento grande demais.
Quais sinais merecem atenção?
- Isolamento intenso, perda de interesse pelo que antes gostava.
- Tristeza, irritação ou ansiedade que não passam.
- Mudanças fortes no sono ou na alimentação.
- Queda importante no desempenho escolar ou recusa em ir à escola.
- Conflitos muito frequentes em casa, que parecem não ter saída.
- Uso de álcool ou outras drogas.
- Exposição a situações de risco ou sinais de que está se machucando.
Se vocês percebem sinais de que o filho pode estar em risco, procurem ajuda imediatamente: SAMU (192), pronto-socorro ou UPA. Para apoio emocional, o CVV atende pelo telefone 188 e pelo chat em cvv.org.br.
Como é a terapia com adolescentes?
Com adolescentes, a palavra costuma ocupar mais espaço do que o brincar. Ainda assim, não é um bate-papo. A escuta psicanalítica está atenta ao que se repete, ao que se evita e ao que aparece nas entrelinhas. Às vezes, o assunto chega por uma música, uma série, um jogo ou uma conversa no grupo de amigos, e é por ali que começamos.
O começo é delicado. Muitos adolescentes chegam desconfiados, porque foram trazidos pelos pais. Por isso, o primeiro trabalho é construir um vínculo em que ele sinta que aquele espaço é dele, e não uma extensão da casa ou da escola.
E o sigilo? Os pais ficam sabendo de tudo?
O que o adolescente conta em sessão é preservado. Essa confiança é o que permite que ele fale do que é difícil. Isso é combinado com clareza no início, com o adolescente e com os pais.
O sigilo tem limites, previstos no Código de Ética: quando há risco à vida ou à integridade do adolescente ou de outra pessoa, os responsáveis e, quando necessário, a rede de proteção são envolvidos, buscando sempre conversar com o jovem antes sobre isso.
Onde ficam os pais nesse processo?
Os pais continuam sendo fundamentais. Nos encontros de orientação, conversamos sobre o que vocês observam em casa, as dificuldades na convivência e as formas de estar presente sem invadir.
Algumas orientações costumam ajudar:
- Respeitem o espaço da terapia. Evitem perguntar o que foi falado na sessão.
- Se ele disser que "não precisa mais", tragam isso para a conversa. O fim também se conversa, na sessão e nos encontros de orientação.
- Continuem presentes. Mesmo quando parece rejeitar, o adolescente precisa saber que os pais estão ali.
- Cuidem também de vocês. A adolescência dos filhos mexe com a história dos próprios pais.
A terapia é para o adolescente ou para a família?
Para os dois. O adolescente tem o seu espaço, e os pais têm o deles nos encontros de orientação. Quando necessário, também conversamos com a escola, sempre com o conhecimento da família e do jovem.
Para conhecer o meu trabalho com crianças e adolescentes em Ribeirão Preto, veja a página de psicanálise infantil.
Referências
- Winnicott, D. W. (1971). Conceitos contemporâneos de desenvolvimento adolescente. In: O brincar e a realidade.
- Conselho Federal de Psicologia. Código de Ética Profissional do Psicólogo (2005).